Controle da Coagulação em Prótese Valvar Cardíaca – TAP

Cardiologia, Medicina

Neste post, vamos falar sobre a importância do controle da coagulação sanguínea em pacientes portadores de próteses valvares cardíacas. Em entrevista ao nosso blog , o cirurgião cardíaco Sergio Lima de Almeida (CRM 4370 / RQE 5893), chefe do serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital SOS Cárdio, fornece explicações sobre o tema.

Doenças e PrótesesValvares Cardíacas

As doenças que atingem as válvulas do coração costumam ser provocadas por problemas que impedem a correta abertura e fechamento dessas estruturas. Dessa forma, acabam prejudicando o correto funcionamento do coração, seja por uma sobrecarga de volume nas insuficiências das valvas, seja por uma sobrecarga de pressão nas estenoses.

Na maior parte das vezes, essas situações podem  ser corrigidas através do tratamento cirúrgico, pelo reparo (plastia) ou pela substituição das valvas cardíacas naturais por próteses.

No entanto, apesar de comprovadamente eficientes, o uso de próteses valvares pode oferecer um risco maior de formação de coágulos (trombos) dentro do coração. E é nesse ponto que reside a importância do exame para controle da coagulação sanguínea para pacientes com prótese valvar.

Abaixo, Dr. Sergio Lima de Almeida (CRM 4370 / RQE 5893) responde algumas das principais perguntas dos pacientes sobre o exame de controle da coagulação sanguínea – também conhecido como controle de TAP.

Qual o principal risco da formação de coágulos (trombos) dentro do coração?

Dr. Sérgio: O principal risco da formação de um trombo no coração é o de ele se desprender e provocar embolia em algum outro órgão, como o cérebro. Dessa forma, pode levar a casos como o de Acidente Vascular Cerebral – AVC, por exemplo.

Todas as próteses valvares produzem trombos?

Dr. Sérgio: Atualmente, existem hoje dois tipos principais de próteses valvares: as próteses biológicas e as próteses mecânicas. As próteses biológicas são menos trombogênicas – produzem menos coágulos. Ainda assim, nos primeiros três meses após o implante de próteses mitrais biológicas, o uso de anticoagulação é obrigatório. Por outro lado, nos casos de prótese aórtica biológica, a anticoagulação é orientada apenas em casos especiais.  

Já as próteses mecânicas oferecem maior durabilidade do que as próteses biológicas, mas demandam o uso contínuo de medicação anticoagulante. Portanto, pacientes com prótese mecânica, e que, por algum motivo, não utilizam o medicamento anticoagulante, têm risco elevado de tromboembolismo. Na posição mitral, o risco de formação de coágulos é maior em relação à posição aórtica.

Qual a medicação anticoagulante indicada para quem possui prótese mecânica?

Dr. Sérgio: Os inibidores da vitamina K, como a Varfarina, são os medicamentos anticoagulantes indicados para quem possui próteses valvares. Assim, sua prescrição e o acompanhamento da anticoagulação devem ser orientados pelo Cardiologista Clínico.

Como é feito o exame de controle da coagulação sanguínea – TAP?

Dr. Sérgio: O exame de controle da coagulação sanguínea é realizado de forma periódica, a cada 30 ou 40 dias. No entanto, essa frequência pode variar de paciente para paciente, segundo indicação do Cardiologista Clínico.

Com o exame periódico de controle da coagulação sanguínea, popularmente chamado Controle de TAP, o médico verifica se o medicamento está mesmo produzindo os efeitos que são esperados – ou se a dose do remédio precisa ser alterada. Uma das frações mais importantes avaliadas durante o exame de controle da coagulação é o RNI.

O que significa RNI?

Dr. Sérgio: O RNI indica a faixa terapêutica adequada de anticoagulante no sangue. Para os portadores de prótese valvar cardíaca mecânica, o RNI deve estar entre 2,5 a 3,5. Valores menores de 2,5 significam que há pouco anticoagulante no sangue, o que acarreta em um maior risco de trombose. Valores maiores de 3,5 indicam anticoagulante em excesso, e maiores riscos de hemorragia. Por isso o exame para controle da coagulação (controle de TAP) é tão importante.

Qual o médico responsável por realizar esse acompanhamento?

Dr. Sérgio: O médico responsável pelo acompanhamento do controle de TAP é o cardiologista clínico do paciente. Porém, nos casos em que o exame para controle da coagulação indicam um difícil ajuste, pode ser necessário o acompanhamento também de um médico Hematologista.

Sobre o autor:

Dr. Sergio Lima de Almeida é Cirurgião Cardiovascular e Chefe do Serviço de Cirurgia Cardíaca do Hospital SOS Cárdio e da Equipe Seu Cardio, em Florianópolis. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Estado de Santa Catarina – UFSC e com residência na Beneficência Portuguesa, na equipe do Dr. Sergio Oliveira, aperfeiçoou-se em plastia de válvulas na Cleveland Clinic, acompanhando Dr. Delos Cosgrove, e em cirurgia de cardiopatia congênita complexa, no Children Hospital – Harvard Medical School, acompanhando Dr. Aldo Castañeda. Foi também cirurgião cardiovascular do Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis/SC, por 10 anos. Realiza diariamente procedimentos como: cirurgias de revascularização do miocárdio, cirurgia de válvulas e da aorta, além de implantes de marcapassos cardíacos. Com grande experiência em idosos, vem abordando o tema em congressos nacionais e internacionais.

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